Produção Científica

A relevância da atuação da FMVZ em pesquisa contribui para que se mantenha em posições de destaque nos principais rankings nacionais e internacionais e, em 2017, conquistou a acreditação do Conselho Federal de Medicina Veterinária, ao lado de mais duas outras instituições da área.

Atualmente, oferece uma estrutura de pesquisa formada por mais de 80 laboratórios distribuídos em seus dois campi (São Paulo-SP e Pirassununga-SP).

Confira a produção científica da FMVZ USP

Iniciação Científica (IC)

A Iniciação Científica (IC) é uma oportunidade de complementação da formação acadêmica, aprimoramento de conhecimento e preparação para a vida profissional. Os alunos de graduação iniciam atividades de pesquisa sob a orientação de um docente ou pesquisador da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) ou de qualquer unidade da Universidade de São Paulo (USP.) O estudante-pesquisador passa a desenvolver a escrita acadêmica, a capacidade de apresentação de resultados em eventos, de sistematização de ideias e referenciais teóricos, de síntese de observação ou experiências, de elaboração de relatórios e demais atividades envolvendo o ofício de pesquisador. Os resultados dos trabalhos são apresentados em eventos realizados no mês de outubro durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia.

O objetivo é o estímulo ao pensar cientificamente e à criatividade; características tão necessárias no enfrentamento dos problemas de pesquisa. A IC pode ser realizada com bolsa de estudos, oferecida por agências de fomento à pesquisa como a Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).  A abertura de inscrições para os candidatos a bolsa acontece de abril a maio de cada ano. Também há a possibilidade de realizar IC sem bolsa. Esta pode ser requerida junto aos professores a qualquer momento do período de aula.

Acompanhe a publicação dos editais na Seção de Apoio às Atividades de Pesquisa

Pós-Doutorado
(Pos-Doc)

O Programa de Pós-Doutorado da USP é voltado para o aprimoramento em pesquisa avançada sob supervisão de pesquisador experiente, realizado nas Unidades, Museus, Órgãos de Integração e Órgãos Complementares, por portadores de título de doutor, com o objetivo de melhorar o nível de excelência científica e tecnológica da Universidade.

Acompanhe a publicação dos editais na Seção de Apoio às Atividades de Pesquisa

Revista Científica
(BJVRAS)

Brazilian Journal of Veterinary Research and Animal Science (BJVRAS)

Com 80 anos de existência, o BJVRAS cumpre o seu papel como veículo de comunicação de trabalhos científicos das áreas de Medicina Veterinária e de Zootecnia. Com periodicidade trimestral, passou a ser publicado na língua inglesa a partir de 2016, com artigos, notas e relatos de casos elaborados por especialistas nacionais e estrangeiros, categorizados nas seguintes áreas: Ciências Básicas, Medicina Veterinária Preventiva, Clínica Veterinária, Patologia e Reprodução Animal.

Acesso on-line às publicações e submissão de artigos

Veja também

 

Por  Juliana Santos – Publicada originalmente na AUN ECA-USP

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP, após experimentos reproduzindo um processo sanitário comum na indústria de carnes, alertam que a carne consumida no Brasil pode trazer alto risco de contaminação por doenças como a toxoplasmose. Com a ausência de regulamentação sobre a maturação  prática capaz de, sob condições e período de tempo determinados, eliminar chances de contágio , o procedimento realizado pela indústria não é suficiente para tornar as carnes seguras para consumo.

A maturação da carne consiste na embalagem à vácuo dos cortes, que são deixados por um número variável de dias em câmaras com temperatura em torno de 1ºC. Este período de tempo é de livre escolha de cada indústria alimentícia, já que não existe padronização imposta pela legislação. No entanto, a eficácia do processo não é a mesma para qualquer período, e nisto se encontra o risco.

Quanto maior o tempo de maturação, mais caro se torna o processo industrial, com despesas de espaço e refrigeração  portanto, a maioria das indústrias brasileiras utilizam períodos inferiores a 14 dias, segundo informações contidas em embalagens de carnes processadas. Todavia, como recente estudo demonstra, este período não é suficiente.

Bruna Farias Alves, médica-veterinária formada pela Universidade Federal de Pelotas e mestre em ciências pela USP, descreve a descoberta em sua dissertação, Viabilidade de cistos de Toxoplasma gondii em carnes suínas processadas por maturação provenientes de animais experimentalmente infectados.

Após induzir a infecção de um grupo de suínos com o protozoário causador da toxoplasmose, os pesquisadores simularam o processo que a carne suína percorre na cadeia produtiva, com a maturação do produto por 14 dias. Em seguida, camundongos foram expostos à carne infectada, para avaliar se este consumo levaria à contaminação destes por toxoplasmose. Este resultado levaria à conclusão de que a maturação por 14 dias não seria suficiente para inviabilizar cistos do parasita presente na carne, e, portanto, seria ineficaz para a segurança do consumidor. Foi o que ocorreu.

Para verificar quais períodos seriam eficazes para este fim, a equipe repetiu o feito, desta vez com a maturação da carne por 21, e posteriormente 28 dias. Nos dois períodos, os camundongos que ingeriram a carne proveniente de suínos infectados não contraíram toxoplasmose, indicando que ambos tornaram a carne segura para consumo. Segundo a pesquisadora, o experimento ao todo durou 250 dias.

A transmissão de toxoplasmose pelo consumo de carne suína é um problema grave de saúde pública. Um único suíno infectado pode render mais de 600 porções individuais de carne colocando mais de 600 pessoas em risco. Os números sobre a toxoplasmose em si são ainda mais alarmantes; apesar da doença não ser contagiosa, estima-se que um terço da população humana tenha sido exposto ao parasita. No Brasil, a prevalência da infecção por Toxoplasma gondii é classificada como “extremamente alta”.

Nesse contexto, o grupo da FMVZ atenta para a necessidade da introdução de uma regulamentação do processo de maturação, garantindo que o produto que chega ao consumidor esteja seguro. “Estamos planejando fazer uma normativa, para essa informação realmente chegar a quem tem que chegar, pra se tomar as providências”, conta Bruna.

Ainda, a médica-veterinária propõe a realização de outros estudos para determinar um período mínimo para a maturação das carnes, garantindo a produção de carnes seguras para consumo com o menor custo possível para a indústria. “Pensando no controle de doenças, essas normas deveriam existir. Porque nós testamos com a toxoplasmose, mas outras doenças também poderiam ser evitadas num processo como esse”.

Alves ainda comenta que um período mais longo de maturação não é interessante apenas para prevenir doenças, mas para melhorar o paladar. “A maturação é utilizada para realçar algumas características da carne, além da conservação”, conta. “Muita gente, hoje, já procura carnes maturadas para consumo. Então, aliaria-se a qualidade das características da carne com a maior segurança em relação à toxoplasmose”.